quarta-feira, 17 de setembro de 2008

"O livro sem fim"


Pintura de Carl Spitzweg (1850).

domingo, 14 de setembro de 2008

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Terror para menores

Em Coraline, livro infanto-juvenil de Neil Gaiman, autor fantasia com elementos sombrios

Na literatura infantil, quando bem explorada, um simples abrir de porta tem o poder de conduzir para terras distantes e reinos repletos de fantasia. Em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, a garota mergulha na toca do coelho e, a partir daí, conhece um chapeleiro maluco, um gato que desaparece no ar e uma lagarta que desfere sábios conselhos. Nas crônicas de C. S. Lewis, quatro crianças adentram um guarda-roupa e conhecem o reino encantado de Nárnia, onde travam batalhas em prol da justiça ao lado de animais falantes. O mesmo deslocamento ocorre com Coraline, primeiro livro de Neil Gaiman para crianças publicado no Brasil.

A artimanha literária utilizada por Gaiman recorre aos clássicos: uma porta aberta – que uma hora mostra uma parede de tijolos e noutra um corredor – conduz o leitor para uma trama de mistério e suspense em que a protagonista, que dá nome ao livro, inicia uma viagem fantástica, enfrentando situações extravagantes e assustadoras.

Freqüentemente comparado com Edgar Allan Poe, o autor de Sandman – graphic novel campeã internacional de vendas, com tiragem de dois milhões de exemplares por ano – utiliza elementos góticos e do terror para criar uma atmosfera envolvente para as mais variadas idades. Na história, Coraline [e não "Caroline", como ela mesma diz] acaba de se mudar para um apartamento numa casa antiga e se propõe a explorar o lugar. Em uma tarde chuvosa, ela consegue abrir uma porta na sala de visitas de casa, que sempre estivera trancada, e descobre um caminho para um misterioso apartamento "vazio" no quarto andar do prédio.

Para a sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado e logo ela entra em contato com um mundo muito parecido com o real, a não ser pelo fato de, aparentemente, tudo ser mais gostoso e interessante. A menina, no entanto, logo descobre que aquele mundo é um lugar aterrorizante e repleto de armadilhas.

Com esta obra, Gaiman desmistifica o conceito de que histórias infanto-juvenis são “coisa de criança” e cria um conto de fadas moderno e obscuro. O enredo inclui um gato preto, espíritos aprisionados em um espelho e até mesmo uma “outra mãe”, que deseja pregar botões nos olhos de Coraline.

As armadilhas do autor criam várias possibilidades nos labirintos da imaginação do leitor, revelando surpresas em cada um dos 13 capítulos, e mostra que a literatura é um lugar privilegiado por permitir o mergulho nas mais variadas narrativas, desmontando, inclusive, paradigmas. Além disso, as ilustrações de Dave McKean dão um tom especial ao processo narrativo, uma vez que acrescentam à obra traços angulares e sombrios.

O próprio Gaiman se considera “um grande escritor infantil”. Como reconhecimento do sucesso de seu trabalho, Coraline ganhou uma versão para o cinema adaptada pelo diretor Henry Selick [O Estranho Mundo de Jack] e pelo co-diretor Mike Cachuela, veterano ilustrador de filmes como Os incríveis e A noiva cadáver. A animação, produzida pela Pandemonium Films, será distribuída pela Disney e tem previsão de estréia, nos EUA, em fevereiro de 2009.
.
Confira o teaser da animação.
.
Coraline
..............
por Neil Gaiman
Editora Rocco
160 págs.
$ 31,00
.
(Publicado na Revista Paradoxo)

domingo, 17 de agosto de 2008

Lançamento na Bienal!

Quando a gente começa a ler certas histórias descobre que o melhor jeito de viver é sempre começar.
***
Conheça a autora do encantador "Como Começa?" aqui.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Sobre a impermanência

Aprendi porque as nuvens mudam de lugar. Papel, fotos e objetos se prega com tarraxa, o intangível não.
Nada dura para sempre. As palavras doces, rabiscadas em um guardanapo qualquer, são exiladas numa velha caixa de presentes. Se findam na escuridão para serem escritas novamente. Assim como elas, eu também feneço. Morro para tentar reviver. E vivo um não para recomeçar.
Não sei permanecer.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Estrada


Tenho retratos espalhados pelo País e uma sensação de liberdade que voltei a aprisionar no peito.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Nos bastidores

Diálogos que ajudam a entender a Festa Literária Internacional de Paraty



Afinal, a Flip é ou não é um evento voltado para a elite? Diversas vezes a pergunta vinha à tona nas mesas de bar, no restaurante e até mesmo nos coquetéis após as sessões de cinema da Casa da Cultura de Paraty.
No bate-papo entre pesquisadores, jornalistas, empresárias e uma ilustradora de livro infantil, o quesito moda também entrou na pauta. “Parece que as pessoas ficam horas para escolherem cuidadosamente como descombinar a roupa”, disse uma das empresárias. O estilo blasé de alguns também surgiu na roda e virou motivo de piada. Para entrar no clima era só “rebuscar o vernáculo”. Em vez de falar que determinado objeto produzido por crianças era bonito, bastava dizer: “Muito interessante essa representação do universo lúdico”. Em suma, quanto mais se utilizasse tanto um tom formal na fala quanto roupas tidas por muitos como “estilosas” – e por outros como “descombinação total” –, mais integrado à Flip a pessoa estaria.
Alguns estudantes afirmaram categoricamente que a Festa é um evento voltado para quem tem mais poder aquisitivo. “O preço do albergue é de R$ 90 por dia. Quem estuda não tem grana pra gastar assim”, explicou uma aluna de pós-graduação em Literatura. Outro motivo apresentado era a de que o evento começa em plena quarta-feira, ou seja, impossível para diversos trabalhadores acompanharem desde o início.
Na edição do ano passado, o convidado especial Will Self polemizou ao afirmar que Paraty não era um lugar real. “Como todo lugar que é dominado pelo turismo, isto aqui é inventado, é algo criado para os que vêm de fora”, afirmou o londrino em reportagem publicada no portal de notícias G1, em 5 de julho de 2007.
Segundo Aline Rocha da Silva, 19 anos, caixa de um supermercado de Paraty, as vendas aumentam em torno de 80% no período da Flip. Para ela, o evento deixa a cidade mais alegre, principalmente pelo Programa Cirandas de Paraty, desenvolvido pela Associação Casa Azul nas escolas da rede pública do município. No entanto, por trabalhar durante todo o evento, Aline acabou não participando de nenhuma atividade da programação.
De acordo com Rosangela Passos Laro, 46 anos, professora primária de uma escola de Tarituba, vila de pescadores próxima à cidade de Paraty, a Festa Literária não é só voltada para os turistas, mas também para os moradores. “A gente desenvolveu [na escola] o projeto Memória Local. Entrevistamos pessoas da comunidade e o trabalho está exposto em frente à Tenda dos Autores”, relatou.
Inspirados nos grandes nomes e personagens da literatura – este ano no homenageado Machado de Assis –, milhares de alunos participaram do projeto que tem o intuito de capacitar jovens por meio de aulas de literatura e de um ciclo de palestras, filmes e leituras para educadores e para a comunidade. Ações realizadas em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ]. Assim como Aline, Rosangela também não participou da programação, além do projeto desenvolvido na escola. De acordo com a professora, o motivo é a dificuldade em conciliar o ensino em sala de aula e os trabalhos artesanais à venda no quintal da casa de sua mãe com as atividades do evento.
***
Aproveite para ler mais impressões sobre a Flip aqui.