sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sobre homens e estrelas


“Sinto que a minha vida não é exatamente algo que eu possa controlar. Não obstante, percebo que determinadas atitudes e decisões me levam a uma direção, me apontam um norte, um rumo a seguir, e esta parte, sim, cabe a mim e apenas a mim. O que acontece é que eu mudo de idéia no meio do caminho, ou alguma coisa inesperada acontece e me dá uma nova orientação, como uma estrela que brilha no céu de repente e, num relance, salva a vida de um aviador perdido. Ele tinha um mapa, tinha o seu avião, as suas ferramentas, o seu co-piloto e, mesmo assim, se perdeu. Foi salvo por uma estrela. As pessoas são, para mim, como essa estrela salvadora.”


Trecho de uma carta que recebi há alguns anos e faz alusão à Terra dos Homens, de Antoine de Saint-Exupéry.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Aventuras


Era uma vez um menino que queria ser explorador. Queria tanto, mas tanto, que passava horas deitado no chão de seu quarto, apenas contemplando os mapas dos livros de geografia da escola. Com caneta em punho ele riscava estados, demarcava territórios, criava roteiros e se punha a imaginar todas as maravilhas que encontraria em suas aventuras.

Bastava olhar um pouco mais demoradamente para a profusão de linhas e de nomes no papel para logo se ver trajando calça e blusa cáqui, chapéu de aba larga e cinto preto com um monte de penduricalhos na cintura. Slept! Slept! E o seu chicote estalava no ar contra chacais, enquanto ele corria para a entrada de uma caverna desconhecida. Escalava montanhas, atravessava cânions, enfrentava insetos venenosos e conhecia lulas-gigantes nas profundezas dos oceanos. Mas se era fácil sonhar, quão difícil seria realizar?

E assim ele começou a bolar mil e uma estratégias para não vacilar. Pensou em escrever um bilhete bonito, colocar uma mochila nas costas e dizer adeus pra nunca mais voltar. Logo depois teve uma ideia melhor: se matricular em uma escola que oferecesse treinamento de sobrevivência na selva para viver perigosamente, como sempre quis. E de ideia em ideia passou a tarde toda a divagar. Pensou e pensou até chegar à conclusão de que nenhuma dessas histórias colaria, a mãe choraria e ele jamais partiria. E só assim percebeu que viver dentro da imaginação é que era a maior das aventuras. Lá poderia ser quem quisesse, viajar para qualquer lugar e até conhecer terras além do mar, do céu e das estrelas, para todo o sempre.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

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Mas ainda há beleza quando as lágrimas evaporam, se tornam nuvens e depois lavam a terra em forma de chuva.

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"Não estou falando de um mundo cor-de-rosa ou de pessoas perfeitas, sempre prontas para nos acolher, amar, caminhar ao nosso lado. Não falo disso, mas da tristeza nos olhos de quem vira as costas e a gente não vê. A beleza por dentro de um peito encouraçado que a gente não sente. A solidão de quem afasta um amor e se deita em camas tão frias. É do instante quando os olhos se perdem no nada e nenhuma mentira é capaz de enganar a si mesmo. É desse instante solitário, desse instante sem abraço, que eu digo. Todo mundo vai virar as costas ou dizer que merece coisa melhor ou debochar das mentiras que eles contaram… mas a gente pode sempre voltar e acolher com amor, ser os primeiros a começar. Afinal, se a hostilidade do mundo despertar a nossa, quem vai ser o primeiro a sorrir?"

Rita Apoena

terça-feira, 18 de maio de 2010

Em busca da muiteza


Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: "Devo estar diminuindo de novo". Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crecer novamente.


Para Maria da Graça, Paulo Mendes Campos.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Retrato do artista quando coisa



"Gosto da semente da palavra, que é a voz de Deus que habita nas crianças, nos tontos, nos profetas e nos poetas. Gosto da infância da palavra."

Manoel de Barros

sábado, 8 de maio de 2010

Querido Helianto,


Você já sentiu quando as pálpebras estão cansadas e querem se fechar, mas uma lágrima insiste em ficar pendurada na ponta, relutante em cair? E as pálpebras lá, querendo fechar-se para dentro apenas para sonhar com campos de trigos e raposas e um pequeno menino de cabelos dourados como o sol, espargindo sementes por onde passa. Ele só queria que alguém desenhasse um carneiro e compreendesse a importância da sua rosa, sozinha num planeta qualquer.
Ah! Como eu queria evadir-me com os pássaros, pegar carona na ponta de uma asa para atravessar nuvens espessas com um olhar no céu e outro na terra. E não me importar se às quatro da tarde não chegar ninguém. E abrir a janela repleta de alegria por saber que em algum planeta, localizado em algum lugar do universo, existe uma rosa, um carneiro e dois vulcões extintos, revolvidos cuidadosamente todas as manhãs por um pequenino que sorri milhões de guizos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Para ler e sonhar


Sou fã declarada de Stephen Michael King. Acho de uma genialidade poética todos os livros que já li dele, e aí posso incluir Pedro e Tina, O Homem que Amava Caixas, Ana, Guto e o Gato Dançarino, Vira-lata e Patrícia.
Sempre que sinto as ideias transbordarem aos borbotões, me lembro da menininha dessa história:


"A cabeça de Patrícia vivia cheia de pensamentos... Sua cabeça estava tão repleta, que ela precisava encontrar alguém para partilhar tantos pensamentos!"

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A propósito: no site da Revista Crescer tem uma ótima entrevista com o autor. Para acessá-la, clique aqui.