segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A vida paralizada

Aí eu peguei a coberta do Rufus e sai correndo. Ele, destrambelhado, saiu a toda atrás de mim. Meus pés corriam velozmente até tropeçar numa pedra solta no meio do quintal. Senti o impacto do dedo dobrando quando bateu em cheio na superfície cinza. Sai cambaleando, brecada somente pela parede em que quase estatelei o rosto. Foi engraçado.
Entrei pulando num pé só em casa e, mais gargalhando que chorando, só conseguia repetir “Aí, tá doendo”, “tá doendo”. Todos riram com meu riso.
Achei que fosse bobagem, sentia um ligeiro formigamento no dedo mas, minutos depois, a região da pancada ficou roxa, inchada e as dores surgiram mais fortes.
“Você tem um osso bom, hein... Não chegou a quebrar, mas vai ficar com esse dedo imobilizado por cinco dias. E vê se não apronta mais com o cachorro pelo quintal”, disse o médico risonho, após analisar cuidadosamente o raio-X.
Agora, reviro o guarda-roupa e não encontro um sapato que entre no meu pé enfaixado. Não consigo andar muito, mesmo mancando, sem sentir dor. Tenho que ficar parada, imobilizada diante da vida que corre.
Talvez só assim para eu frear um pouco, observar ao meu redor e olhar mais para dentro de mim. Talvez só assim eu acerte a direção dos pés.

2 comentários:

Carla Andrade disse...

Melhoras com o dedo, gostei pois vc viu o lado positivo do acidente.

Bjiiiiiiinhos

talita tâmara disse...

hahahaha
desculpa mas eu tive que rir disso....rs*

Alguém riu de quando eu me estatelei sozinha no chuveiro né???? rs*

Mas melhor do que rir com a gente mesmo é conseguir entender o propósito das coisas....
E isso tem sido muito mais constante pra vc né???

e pra td nós que deixamos de ser crianças pq a vida pede isso...

Ainda bem que nossa criança tá aí guardadinha e sempre aparece pra "aprontar"...

Isso é que é viver :D

Amo-te mocinha
e cuida do dedo....rs*