quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Sobre a morte

Telefone toca durante a madrugada. Ainda sonolenta, atendo a ligação e demoro um pouco para reconhecer a voz do outro lado do fio. Frases entrecortadas. Voz trêmula. “Seu pai tai?”. Logo vem a notícia: trata-se de alguém que partiu.
Como lidar com essa sensação de vazio que se apodera de nós? Como lidar com as lágrimas que demoram a chegar aos olhos, quando chorar seria o melhor remédio? Parece que o cérebro não processa direito a informação.
A gente acorda, faz planos para a semana, atende telefonemas, responde e-mails, conversa com amigos, cuida da casa, sai para trabalhar e, de repente, tudo some, tudo foge. Alguém partiu. Sem hora marcada. Sem despedidas. Como todos faremos um dia.


Texto escrito dia 27 de julho de 2007.

Um comentário:

disse...

Conheci uma pessoa que certa vez, quando questionado o que faria se soubesse que só tinha mais uma semana de vida, disse:
"- As mesmas coisas que faço hoje, vivo todos os dias pensando que pode ser o último e se for, não posso alterar."

Eu duvidei, e ainda duvido.